Um ultimato do Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) impõe um freio na narrativa de sucesso da gestão Alysson Bezerra em Mossoró, revelando, nesta terça-feira, 28 de abril de 2026, um cenário de fragilidade estrutural. Relatórios detalhados, divulgados na semana passada pelo Diário do RN, apontam deficiências críticas na saúde, educação e assistência social, demandando ações urgentes do novo prefeito Marcos Bezerra antes do prazo final de 30 de abril de 2026.
Esta
decisão ministerial, que exige respostas concretas para evitar o “colapso
administrativo”, impacta diretamente a qualidade de vida da população
mossoroense e coloca em xeque a ambição do ex-prefeito, agora pré-candidato ao
Governo do Estado, cujas promessas de campanha contrastam com a dura realidade
documental.
Enquanto
a tela dos smartphones exibia uma Mossoró em pleno vapor, projetada pelo
intenso marketing digital de Alysson Bezerra, a realidade dos documentos
oficiais pintava um quadro sombrio para quem mais precisa. O levantamento do
órgão ministerial, que fundamenta uma série de recomendações urgentes,
identifica falhas estruturais nos pilares básicos da administração municipal.
Na
saúde, a precariedade no abastecimento de insumos básicos significa pacientes
sem medicamentos essenciais ou leitos disponíveis, e os gargalos no atendimento
especializado prolongam o sofrimento de famílias que aguardam por diagnósticos
e tratamentos que não chegam. Na educação, a infraestrutura das escolas e o
déficit de profissionais revelam que o “padrão” anunciado nos vídeos de
campanha não alcançou todas as crianças em suas salas de aula. Já na
assistência social, o setor mais sensível para a população vulnerável, o
relatório descreve uma desarticulação que compromete serviços vitais, deixando
quem depende de apoio com portas fechadas.
A
discrepância entre o “Prefeito Digital” e o “Gestor Real” levanta um debate
necessário sobre a governança por algoritmos. Alysson Bezerra consolidou sua
imagem pública através de uma presença onipresente no Instagram e TikTok, onde
cada obra ganha contornos de revolução.
Entretanto,
o MPRN sinaliza que, por trás dos filtros e trilhas sonoras animadas, a máquina
pública de Mossoró sofre com falhas crônicas de planejamento e execução. As
recomendações do MPRN não configuram uma decisão definitiva, mas um chamado
imperativo à ação, com prazo para resposta e implementação de melhorias. Este
conjunto de problemas críticos exige atenção imediata e questiona a priorização
do espetáculo em detrimento da manutenção do essencial.
Para
um político que agora almeja o comando do Rio Grande do Norte, estes relatórios
funcionam como um freio de arrumação. Se a gestão da segunda maior cidade do
estado apresenta fissuras tão profundas nos setores básicos, a pergunta que
ecoa nos corredores políticos é se o modelo de Alysson Bezerra sobreviveria ao
escrutínio de um estado inteiro, onde os problemas não podem ser editados ou
silenciados por um clique.
Do Robson Pires








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