O banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do liquidado Banco Master, esteve ao menos 17 vezes nas sedes do Banco Central, em Brasília e São Paulo, ao longo de 2025, em reuniões com áreas estratégicas da autarquia. Registros obtidos via Lei de Acesso à Informação mostram que ele acumulou mais de 34 horas dentro do BC justamente durante o período mais crítico da tentativa de salvar a instituição financeira.
As visitas ocorreram
enquanto o Master buscava recuperar liquidez, negociava ativos com o BRB e
enfrentava o avanço das investigações que culminariam na liquidação do banco.
Parte dos encontros foi diretamente com o presidente do BC, Gabriel Galípolo,
inclusive em datas sensíveis, como abril e maio, quando decisões relevantes
sobre o banco foram tomadas.
Um dos episódios mais
emblemáticos ocorreu em 22 de julho, quando Vorcaro permaneceu mais de oito
horas nas dependências do Banco Central. Dois dias depois, a autarquia
autorizou a venda do Banco Voiter, ligado ao conglomerado do Master, a um
ex-sócio do banqueiro — operação que posteriormente entrou no radar da Operação
Compliance Zero.
A defesa de Vorcaro
sustenta que ele nunca foi alertado sobre risco iminente de liquidação,
enquanto a área de fiscalização do BC afirma ter identificado indícios de
irregularidades e acionado rapidamente Ministério Público e Polícia Federal.
Procurados, nem o Banco Central nem os advogados do empresário comentaram os
registros das visitas.








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