Em Olho D’Água do Borges, a política voltou a provar uma velha máxima: "quem tem telhado de vidro não deve atirar pedra no do vizinho". Ao tentar criar um fato político contra a atual administração, a vereadora Jéssica Leite Queiroga Sales (PP), acabou protagonizando um verdadeiro autogol, expondo uma dívida deixada pela gestão de sua avó, a ex-prefeita Maria Helena Leite de Queiroga — e, ainda mais grave, sua própria e conveniente omissão como fiscal do povo.
No exercício legítimo — porém seletivo — de vereadora, Jéssica encaminhou um ofício à Secretaria Municipal de Educação cobrando explicações sobre um suposto atraso no pagamento do Programa de Auxílio Financeiro Estudantil (PAFE). A resposta, no entanto, foi tudo, menos o que a vereadora esperava. Veio técnica, documentada e devastadora do ponto de vista político.
Em ofício claro e contundente, (veja abaixo), a Secretaria esclareceu que o único pagamento pendente sob responsabilidade da atual gestão dizia respeito ao mês de dezembro de 2025, atraso justificado por procedimentos normais de encerramento do exercício financeiro, necessários para garantir a lisura das contas públicas. O pagamento, inclusive, já tinha data marcada: 30 de janeiro. Caso encerrado? Longe disso.
Foi exatamente aí que o tiro saiu pela culatra.
Para responder “de forma fidedigna” ao questionamento da vereadora, a Secretaria realizou uma auditoria interna e trouxe à tona um verdadeiro esqueleto no armário: um calote sistemático contra estudantes deixado pela gestão anterior — justamente a da ex-prefeita Maria Helena Leite de Queiroga, sua avó.
Os fatos revelados no documento oficial são graves e constrangedores:
Em 2023, os meses de agosto e outubro sequer foram processados. Não houve pagamento. O mês de setembro, embora processado, foi deixado sem lastro financeiro, configurando um aparente descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal.
Em 2024, o abandono foi ainda mais explícito. Os meses de outubro, novembro e dezembro foram simplesmente ignorados. Nenhum procedimento administrativo foi aberto para pagamento — curiosamente, logo após o resultado do processo eleitoral.
E como se não bastasse, o próprio ofício faz questão de registrar que toda essa desorganização administrativa e financeira ocorreu durante a gestão da avó da nobre vereadora.
A pergunta que ecoa pelas ruas da cidade é inevitável: onde estava a fiscalização rigorosa da vereadora Jéssica Leite quando estudantes ficaram meses sem receber? Por que o silêncio absoluto em 2023 e 2024? A preocupação da vereadora com os estudantes só existe quando o prefeito é adversário político?
Fiscalizar é dever do vereador. Cobrar é obrigação. Mas tentar fabricar uma crise a partir de um atraso pontual, técnico e justificado, enquanto se fecha os olhos para um prejuízo muito maior para os estudantes, deixado pela própria família, isso expõe não zelo, mas oportunismo político.
A atual gestão não apenas respondeu com fatos e transparência, como também abriu a caixa-preta de uma dívida que estava convenientemente abafada pela omissão da vereadora. E para fechar com chave de ouro, o ofício ainda convida a vereadora ou qualquer interessado, a consultar toda a documentação comprobatória do calote — um gesto que a coloca em clara sinuca de bico.
O episódio já entra para a história política de Olho d’Água do Borges como o dia em que uma tentativa de ataque virou autogol. Um lembrete claro de que, para cobrar, é preciso ter moral. E, acima de tudo, memória boa.
Veja o oficio abaixo:










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